OUTUBRO ROSA: Uma luta pela vida

penha

Maria da Penha está em tratamento do câncer de mama, mas não desiste de realizar seus sonhos, como terminar a faculdade.

Mulher nenhuma está preparada para o diagnóstico de câncer de mama. O erro é acreditar que nunca vai acontecer com a gente. Mas os números alertam: são previstos mais de 57 mil novos casos para este ano. É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil. E mesmo assim nos excluímos das estatísticas.

Com Maria da Penha Risieri não foi diferente. Aos 45 anos, ela luta pela vida. Sempre fez os exames de rotina e foi um simples ato, mas importante, que salvou a sua vida: o autoexame. Acostumada a fazer com frequência, sentiu um nódulo em fevereiro deste ano.

“De imediato, eu e meu esposo cogitamos a ideia de que poderia ter dado algum problema na prótese que coloquei há 8 anos. Mas confesso que fiquei apavorada, por ser um nódulo grande. Entrei em um mundo de dúvidas e incertezas”, conta Penha.

Em uma corrida contra o tempo, começou a bateria de exames. “O médico havia pedido oito chapas de mamografia, mas na clínica foram feitas 20. Saí da clínica com a orientação de procurar um mastologista urgente. Algo me dizia que era um problema sério e era. A hipótese do diagnóstico era câncer de mama”.

Um nódulo de 8,7 cm mudou a sua vida. Mas a descoberta não foi a pior parte para ela, e sim a espera do resultado da biopsia. “Foi uma semana de tortura, porque a gente fica apreensiva. É ele que vai revelar o tipo de câncer e o tratamento”, revela. Então começaram as sessões de quimioterapia. Ao todo, foram 16. Para então fazer a mastectomia – a remoção total da mama.

“Eu tinha medo da quimioterapia por tudo o que já ouvi e até presenciei no hospital. Mas cada organismo reage de uma forma. Mas Graças a Deus, reagi muito bem”, destaca Penha. Desde então está descobrindo um caminho de força, fé e coragem que lhe faz erguer a cabeça para lutar pela vida.

“O diagnóstico de câncer não é mais sentença de morte. A descoberta precoce e o tratamento imediato aumentam cada vez mais a chance de cura. Aliado a isso entra a reação do paciente. Acreditem, quando o médico fala com pensamento positivo e bom humor isso já ajuda e muito na recuperação e a seguir em frente”.

Penha chegou a ser orientada a trancar a faculdade de Engenharia Civil. No entanto, guerreira, ela não abriu mão do sonho e está fazendo o 8º período em curso domiciliar com provas agendadas na instituição. Será seu segundo diploma, pois já é graduada em Recursos Humanos com pós em Engenharia da Segurança do Trabalho.

“A hipótese de ter que abandonar a faculdade foi pior do que raspar a cabeça. Achei que seria o mais difícil, porque mexe com a nossa autoestima. Mas confesso que no momento de cortar o cabelo, fechei os olhos e entreguei nas mãos de Deus. E Ele segurou a minha mão. Quando abri os olhos, tudo ficou mais fácil. E com o meu cabelo, fizemos a minha peruca. Ficou linda!”.

Porém, essa força toda tem nome e chama família. “Deus vem em primeiro lugar, depois a família. Dedico grande parte da minha superação ao meu marido Aarão. Agradeço a todos os familiares, amigos e orações. É com esse apoio, carinho, força e fé que vencemos a guerra contra o câncer”.

Uma luta que foi registrada e faz parte da exposição fotográfica de Fernanda Ribeiro no Shopping Boulevard em Vila Velha. “É um trabalho que traz a beleza, a força e os medos da mulher independente da fase em que se encontra o câncer”, diz Penha. A exposição segue até o dia 31 de outubro.

O sonho? Ficar curada. O aprendizado? Se colocar sempre no lugar do outro. O conselho? Cuide-se! Em outubro, os holofotes se voltam para o assunto. Mas o cuidado com a saúde tem que ser diário. “Todo detalhe faz a diferença quando se trata de saúde. Dê mais valor a sua vida. Não deixe para amanhã, comece hoje mesmo”.

Os números

1 em cada 8

mulheres pode ser diagnosticada com câncer de mama

Mais de 30 mulheres

morrem por dia de câncer de mama

95% de chance de cura

se detectado precocemente