Uma história de superação no esporte

0298_Remo_Dia1_IMG_5694_EdaPor Géssika Avila

Após sofrer um acidente praticando exercícios em uma academia, Luciana Lima, 41, descobriu que havia ficado deficiente. Ela fraturou o tornozelo quando utilizava o aparelho “legpress”, em abril de 2013. De lá para cá, sua vida mudou completamente: largou o emprego de segurança, passou por um período de depressão e se viu renovada quando descobriu o remo adaptado, esporte pelo qual foi vice-campeã brasileira duas vezes consecutivas.

Mãe de três filhos, a atleta afirma que o remo é muito importante na sua vida, mas conta que já pensou em desistir. Com o incentivo do treinador, não levou a ideia para frente e agora treina apenas aos sábados, em Vitória, mas durante a semana faz natação e musculação, para não perder o ritmo. Em maio, Luciana participou do revezamento da tocha olímpica em Guarapari e define o momento como inesquecível.

Revista Sou – Como começou no remo adaptado?

Luciana Lima – Eu fazia fisioterapia no Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes) e fiz amizades lá dentro. Um amigo me convidou para visitar o remo, no Caxias Esporte Clube Vitória. No mesmo dia, fiz um teste e passei. Isso em 2014. O Campeonato Brasileiro de Remo foi a primeira competição que participei, após seis meses treinando. Antes do remo, eu não praticava esporte. Na juventude, fiz capoeira, mas parei. O remo veio clarear tudo na minha mente. Só tenho que agradecer.

Ficou revoltada depois do acidente?

No começo, foi difícil. Da tarde para a noite você sofre um acidente e meses depois recebe um laudo dizendo que ficou deficiente. Para mim foi um choque muito grande. Eu trabalhava, era segurança. Aí entrei em depressão, não queria ninguém perto de mim. Passei oito meses sem poder colocar o pé no chão, andando de muleta, sofrendo, tendo que ir para Vitória fazer o tratamento direitinho. Depois que recebi os laudos que detectaram que fiquei deficiente, minha vida mudou completamente. E quando eu me encaixei em um esporte, foi uma superação de vida tremenda para mim. Quando eu entro no barco e saio remando, esqueço de tudo. Dá uma tristeza na hora de voltar… O remo completa a minha vida. Até então, eu sou a única mulher do Estado que faz o remo adaptado. Fui duas vezes vice-campeã brasileira na modalidade.

Como se sente podendo afirmar isso?

É uma alegria imensa. Cada dia que passa, quando olho as fotos, as medalhas… Eu paro e penso. Dá até vontade de chorar, porque eu nunca imaginei, a essa altura do campeonato, entrar em um barco e remar. Nunca passou pela minha cabeça. Aí você ainda chega em uma competição e de cara é vice-campeã… É uma alegria enorme para mim, para o meu treinador e para os nossos colegas do remo.

IMG_2139Vai participar novamente do Campeonato Brasileiro deste ano?

Com certeza! E espero trazer outra medalha, seja qual for! Irei para o Brasileiro, mais uma vez, e vou abrilhantar o clube que defendo. Já recebi convite de outro clube, mas por enquanto não pretendo largar o meu. Se eu alcançar outro objetivo que estou correndo atrás, aí sim, deixo o Caxias e vou defender o outro, que não é do Estado, é de fora. Por enquanto, não penso em largar o remo. É aquela velha história: uma hora a gente vai ter que parar, porque os músculos vão pedindo, os braços vão arriando, mas, por enquanto, não penso em parar.

Qual é seu grande sonho dentro do esporte?

Acho que o meu maior sonho… Eu não vou dizer que é um sonho, é uma conquista. Não falo nem por mim, o que eu queria mesmo é que os meus colegas do remo, cada um deles – Geovan, Flávio, Renato, Vinícius, Adriano e Douglas – também pudesse conseguir um pódio, medalhas, porque a vida deles é muito difícil. São guerreiros. Todos somos. E eu ficaria muito feliz se eu visse pelo menos uma medalha no peito deles, nem que fosse a de bronze. Eles batalham muito e para mim seria um grande sonho vê-los no pódio, eu ficaria muito feliz.

Sendo um exemplo de superação, o que tem a dizer para quem deseja alguma coisa e tem medo de tentar?

Muitas vezes as pessoas ficam deprimidas dentro de casa, achando que o mundo parou. O mundo não parou. Tem tantas formas de abrilhantar a nossa vida… Não podemos ficar parados. Devemos procurar um esporte, algo para poder fazer, porque só assim, no dia a dia, a pessoa vai vendo que não pode ficar parada dentro de casa. Se você ficar trancada dentro de um quarto, a depressão toma conta de você. Isso é a pior coisa do mundo. A pessoa tem que sair um pouco, ver coisas novas.

Como foi carregar a tocha?

Já fiquei nervosa só por ter sido selecionada, no dia então, que tremedeira! Foi uma alegria enorme, um momento inesquecível. Meus tios vieram do Rio me prestigiar. Minha família estava toda aí. Para mim foi muito emocionante, eu amei. Só tenho a agradecer a Deus por tudo que ele tem proporcionado na minha vida. É por isso que eu falo: cada dia que passa, é uma superação.